1. Introdução
Nos últimos 15 anos, cepas muito virulentas do vírus da Doença de Gumboro ("vvIBDV - Very Virulent Infectious Bursal Disease Virus") têm provocado surtos caracterizados por alta mortalidade na África, Europa, Sudeste Asiático e, em meados da década de 90, na América Latina.
 
       
   
Distribuição mundial da forma aguda da Doença de Gumboro (1999)
 
       
   
Fig.1
 
       
 
No Brasil, convivemos há muitos anos com a forma subclínica dessa doença, que provoca imunodepressão e abre portas para outras enfermidades, roubando silenciosamente a lucratividade dos avicultores. No entanto, desde 1997 passamos a nos defrontar também com sua forma clínica mais severa, cujas conseqüências podem ser devastadoras.
A doença se manifesta por meio de depressão profunda, diarréia aquosa, prostração, palidez de crista e barbela e mortalidade súbita (por um período de 4 a 6 dias) que pode atingir 25% em frangos de corte ou até 60% em poedeiras comerciais. A necropsia revela edema gelatinoso seguido de marcada atrofia da Bolsa de Fabrício, hemorragias musculares, congestão renal e, ocasionalmente, petéquias no proventrículo e no timo.
 
           
   
 
Os vírus relacionados à forma aguda da Doença de Gumboro, também conhecidos no país pela denominação "G11", apresentam diferenças quanto à sua patogenicidade, porém não são diferentes antigenicamente dos vírus clássicos, sendo também pertencentes ao sorotipo 1. Em condições experimentais, as vacinas convencionais produzidas com amostras clássicas conferem proteção total contra o vvIBDV. No entanto, em campo os resultados são extremamente variáveis. Em muitas situações, o uso de vacinas intermediárias em associação com rigorosas medidas sanitárias pode ter êxito no controle da infecção. Em outros casos, mesmo diante da administração de várias doses de vacinas intermediárias ou intermediárias-plus, a doença ainda foi capaz de produzir sérios prejuízos. Nestes casos, além de programas de desinfecção ainda mais reforçados, o uso de vacinas fortes é recomendado.
       
 
       
   
 
   
Saúde Animal