2. Por que Vacinar?
 
A imunização dos plantéis vem ganhando cada vez mais aceitação como medida auxiliar na estratégia de controle da salmonelose. Um programa de vacinação tem por objetivo prevenir a colonização do trato reprodutivo, reduzindo a transmissão vertical da bactéria. Além disso, a vacinação pode reduzir também a colonização do trato intestinal, diminuindo assim a eliminação fecal do agente e a contaminação da superfície da casca dos ovos.

Outro benefício da vacinação é o estímulo à produção de altos níveis de anticorpos circulantes, que serão transmitidos à progênie. Trabalhos de Holt et al. (USDA's Southeastern Poultry Research Laboratory, Athens, GA) demonstram que a presença de anticorpos nos ovos retarda o crescimento de SE (Gráfico 3). A recuperação de colônias de bactérias viáveis por meio de isolamento direto a partir do ovo foi significativamente menor nos ovos provenientes de lotes vacinados.
 

Log 10
células/ml
Efeito específico dos anticorpos na
inibição do crescimento de SE
 
   
.Salmonella
.enteritidis
Proteus spp
Gráfico 3

As vacinas inativadas apresentam algumas propriedades que devem ser consideradas no momento de selecionar os produtos a serem usados no programa de vacinação.

Inicialmente, a não-utilização de organismos vivos elimina o risco de doença clínica provocada pela própria vacina. Da mesma forma, não há possibilidade de retorno à virulência ou de disseminação para aves suscetíveis.

O uso de adjuvantes específicos favorece maior estímulo à resposta humoral, bem como à resposta mediada por células, contribuindo assim para a eliminação mais rápida da bactéria dos tecidos.

Finalmente, a manipulação individual das aves, apesar de mais onerosa, garante melhor controle da dosagem e maior uniformidade da resposta imunológica.
 
 
3. Eficácia da Vacinação
 
Estudos de Nagaraja et. al. (University of Minnesota) comprovam que a vacinação de aves contra S. enteritidis reduz a colonização do trato intestinal. Nesses experimentos foram utilizadas aves SPF de 42 semanas de idade. Dois grupos de aves foram vacinados, respectivamente, com uma bacterina inativada e uma vacina experimental preparada a partir de proteínas da membrana externa da bactéria (OMP). Um terceiro grupo de aves não vacinadas foi mantido como controle. Cada grupo foi subdividido em dois, sendo que somente um subgrupo foi desafiado com SE, por via oral, quatro semanas após a vacinação.

A habilidade da vacina em reduzir o nível de colonização do trato intestinal foi aferida mediante a coleta semanal de "swabs" cloacais após o desafio até o final do experimento (Tabela 2).
     
 
Presença de SE na cultura fecal ("swab" de cloada)
 
 
Grupo
Tratamento
Subgrupo
SEMANAS P.V.
Nº Positivos / Nº Total
1
2
3
4*
5
6
7
8**
1
OMP
A
0/15
0/15
0/15
0/15
0/15
1/15
0/15
0/15
B
0/15
0/15
0/15
0/15
0/15
0/15
0/15
0/14
2
Bacterina
A
0/15
0/15
0/15
0/15
2/15
2/15
1/14
0/14
B
0/15
0/15
0/15
0/15
0/15
0/15
0/15
0/15
3
Controle
A
0/15
0/15
0/15
0/15
9/15
8/13
3/13
3/13
B
0/15
0/15
0/15
0/15
0/15
0/15
0/15
0/15
 
 
*Desafio oral **Sacrifício das aves
 
 
Subgrupo A: Avs desafiadas / B: Aves não desafiadas
Tabela 2
 
     
 
As aves desafiadas foram sacrificadas quatro semanas após o desafio. Veja na tabela abaixo os resultados de recuperação de SE diretamente a partir dos órgãos internos.
 
     
 
Presença de SE nos tecidos
 
 
Grupo
Tratamento
Subgrupo
Nº Positivos / Nº de Amostras
   
Fígado
Baço
Olário
Oviduto
Medula
Óssea
Ceco
Total
Pos.*
% Neg.
1
OMP
A
1/15
1/15
1/15
0/15
0/15
2/15
2
86,7
B
0/14
0/14
0/14
0/14
0/14
0/14
0
100,0
2
Bacterina
A
2/14
2/14
2/14
1/14
0/14
2/14
3
78,6
B
0/15
0/15
0/15
0/15
0/15
0/15
0
100,0
3
Controle
A
5/13
5/13
4/13
4/13
0/13
6/13
6
53,8
B
0/15
0/15
0/15
0/15
0/15
0/15
0
100,0
 
 
*No mínimo um (1) tecido.
Subgrupo A: Aves desafiadas / B: Aves não desafiadas
Tabela 3
   

Saúde Animal