Introdução:  
       
   
A aplicação de vacinas por via massal é essencial na indústria avícola, especialmente para o segmento de frangos de corte. Dentre as técnicas disponíveis, o spray tem sido utilizado com bastante sucesso e vem ganhando maior popularidade em razão das atualizações no manejo, dos novos equipamentos introduzidos e da necessidade de redução dos custos de produção.
Vacinando por meio de spray podemos evitar problemas relacionados à disponibilidade e à qualidade da água de bebida e ao tempo de vacinação. Além disso, pode-se obter melhor controle do processo em si, contribuindo para maior cobertura vacinal do lote.
A vacinação por spray oferece ao avicultor maior facilidade na aplicação, associada à grande eficácia em estimular o sistema imunológico das aves. Pode ser utilizada para a aplicação simultânea de diversos antígenos, sendo particularmente eficaz na administração de vírus vivos com tropismo respiratório, tais como Newcastle e Bronquite. Nós temos também realizado comparações da vacinação contra a Doença de Gumboro via água versus spray, e encontramos resultados satisfatórios.
O spray não somente promove a sensibilização das mucosas conjuntivais e o estímulo da glândula de Harder, como também distribui o antígeno vacinal na cavidade nasal e nas passagens do trato respiratório, induzindo uma sólida resposta imunológica.
Neste informativo, iremos abordar a técnica de vacinação. A avaliação do método empregado nem sempre é considerada durante as investigações de aparentes falhas vacinais, que normalmente resultam em níveis inadequados de proteção frente ao desafio de campo ou em reações vacinais de "rolagem".
Quando a vacinação por spray é realizada na idade correta e com vacinas adequadas, se ocorrerem falhas, estas provavelmente significam que o processo de vacinação utilizado não está sob controle. Portanto, para a revisão do método é importante conhecer alguns aspectos teóricos:
 
       
 
 
   
1. Conceitos:  
   
1.1. Spray: é uma distribuição relativamente estável de gotículas ou partículas secas (fase dispersa) dentro de uma fase contínua, o ar. A partir de sua liberação, as gotículas de água estão sujeitas a três fenômenos naturais:

- Deriva: remoção das gotas de solução vacinal para fora da área-alvo, em virtude de correntes de ar. Influenciada pela velocidade do vento e pela velocidade de deslocamento do pulverizador.

- Sedimentação: é a taxa de precipitação das gotículas. Influenciada por duas forças opostas: a gravidade e a resistência do ar. Assim, quanto maior a gota vacinal, maior será o seu peso e sua superfície. Portanto, maior será a taxa de sedimentação e mais curto o percurso percorrido até o seu depósito.
 
   
Tempo médio de sedimentação das gotículas
Tamanho da gota Taxa média de sedimentação Distância percorrida até completa evaporação
20 µm 0,6 cm/s 1 cm
50 µm 3,6 cm/s 37 cm
100 µm 14,4 cm/s 600 cm
Tabela 1
 
   
- Evaporação: influenciada pela temperatura e pela umidade do ar. Ao final da expectativa de vida da gotícula, restará o resíduo de matéria seca.
 
   
Tempo médio de vida das gotículas em função da umidade do ar
Tamanho da gota UR = 50 % UR = 75 % UR = 95 %
20 µm 0,8 s 1,7 s 10 s
50 µm 5 s 10,4 s 62,5 s
100 µm 20 s 41,7 s 250 s
 
J. Van Eck, PHI Doorn, 1990 .......................................................................................... Tabela 2