No final da década de 60 iniciou-se uma história de sucesso no desenvolvimento das vacinas avícolas. Após intensivos testes de campo, a primeira vacina contra a Doença de Marek foi introduzida no mercado norte-americano em 1970. O seu êxito, evidenciado pela redução dos problemas de campo, foi tão marcante que em poucos meses a vacinação passou a ser uma prática rotineira adotada no mundo inteiro. Porém, muitas tentativas fracassam após anos de pesquisa e grandes investimentos, pois o lançamento de uma nova vacina no mercado é um processo complexo, desde a concepção do projeto até a elaboração das estratégias de marketing.
 
     
   
 
O desenvolvimento de um novo produto biológico se inicia com uma extensa revisão da literatura científica e dos recursos tecnológicos e industriais disponíveis. Após a aprovação dos estudos de viabilidade técnica e econômica, o projeto entra em fase de execução. Neste manual, vamos rever algumas destas etapas.
 
     
 

As vacinas vivas apresentam uma série de vantagens: são mais práticas e econômicas, pois propiciam a redução dos custos e da mão-de-obra na aplicação. São particularmente eficazes em ativar a imunidade local e também são mais versáteis: podem ser administradas individualmente (ex.: via ocular, nasal ou injetável) ou coletivamente (ex.: via água de bebida ou por spray). Além disto, são muito úteis no controle de surtos ou epidemias, pois permitem a instalação de uma resposta imunológica rápida.
Entre as desvantagens, podemos citar a menor uniformidade da imunização em massa dos plantéis, o risco sempre presente de reações pós-vacinais, a difusão de organismos vivos nos ambientes de criação, a maior exposição do vírus vacinal aos anticorpos maternos, a concorrência entre os vírus respiratórios por sítios de ligação e a indução de imunidade fugaz ou de curta duração.
 
 
Após a definição do tipo de vacina a ser desenvolvida (Viva ou Inativada/ Homóloga ou Heteróloga / Mutante ou Recombinante, etc.), a habilitação de um novo agente como candidato em potencial para a sua elaboração depende inicialmente da avaliação de suas propriedades antigênicas e de sua capacidade imunizante.
 
     
 

Uma vez que a Imunogenicidade (vide item 4.1) do agente estiver claramente estabelecida, é necessário provar sua segurança para o hospedeiro, operador e meio ambiente, ou seja, a ausência de risco biológico. Com esta finalidade, inicia-se a formulação de vacinas experimentais, que serão submetidas a uma série de testes fundamentais. Vejamos alguns deles:
 
     
 

Dose Mínima: Determina-se a tolerância da(s) espécie(s)-alvo à vacina em teste, na dosagem preestabelecida. Animais suscetíveis são vacinados através de todas as vias de administração preconizadas, e observados durante 21 dias. Para o teste ser considerado satisfatório, os animais devem apresentar ausência de sintomas clínicos ou reações adversas locais e sistêmicas durante todo o período de avaliação.


Overdose: Variação do teste utilizando-se, geralmente, uma concentração de antígeno 10 vezes superior à dose recomendada.
 
     
 

Somos testemunhas da crescente preocupação com os riscos aos quais estão expostos os consumidores de produtos de origem animal. As restrições ao uso de antibióticos, o aumento da incidência de infecções alimentares por Salmonella spp. em saúde pública e o surgimento de novos casos de Encefalopatia Espongiforme Bovina (BSE) são apenas alguns fatores que contribuem para tornar cada vez mais rigorosas as normas internacionais sobre a pureza dos insumos utilizados na produção.