Na última década, a indústria de produtos biológicos aperfeiçoou e desenvolveu novas vacinas, em apresentações mais práticas e com embalagens mais econômicas, seguras e convenientes. Produtos combinados foram criados a partir da associação de dois ou mais antígenos em um único frasco, como por exemplo a vacina bivalente HVT+ Rispens.
Como determinar o título de Marek de uma vacina associada com Gumboro?
Por se tratar de dois vírus vivos e capazes de infectar cultivos celulares, para a titulação de Marek é preciso primeiro neutralizar o vírus de Gumboro. Portanto, são necessárias duas operações. E para esta finalidade utilizam-se anti-soros monoespecíficos para cada fração da vacina.

 
     
 

Condições de transporte, armazenagem e manipulação das amostras;
Propriedades físico-químicas dos diluentes utilizados (tipo, pH,
osmolaridade);
Qualidade da água, meios de cultura e reagentes utilizados;
Condições da monocamada celular (saúde, densidade, uniformidade, presença de grumos);
Superfície de impregnação da monocamada (placas de Petri x garrafas/ vidro x plástico / material descartável x reciclado);
Tipo de célula empregada (FEG primário x FEG secundário);
Temperatura e atmosfera de incubação (umidade e níveis de CO2);
Tempo decorrido entre a inoculação do substrato e a leitura das placas;
Nível de treinamento e rotatividade do pessoal;
Grau de descrição e padronização dos procedimentos operacionais.

 
     
   
     
 
Tipo de Vacina
Especificação
Newcastle
105,5 DIOE50 / dose*
Bronquite Infecciosa 102,0 DIOE50 / dose*
Gumboro
102,0 TCID50 / dose*
Bouba Aviária
102,0 DIOE50 / dose*
Encefalomielite
102,0 DIOE50 / dose
Marek 1.000 PFU,s / dose
* teste de Estabilidade Térmica (vide item 4.2.) Tabela 3
A tabela 3 apresenta os títulos mínimos preconizados pelo Ministério da Agricultura para as principais vacinas aviárias.
Mas quando consideramos as especificações de título de um produto, logo surge uma dúvida.Qual a relação entre o título e a proteção conferida por uma vacina?
Esta questão nos remete ao princípio do processo de fabricação: o Vírus-Semente (MSV - "Master Seed Virus").
Na maioria das vacinas, o vírus original é isolado a partir de um caso de campo e passa por diversos processos laboratoriais (como a atenuação por passagens consecutivas sobre ovos embrionados ou culturas de tecidos), visando remover sua patogenicidade, preservando porém sua capacidade imunogênica.
 
 

A elaboração do MSV é uma atribuição dos núcleos de pesquisa de cada laboratório. Ainda que os vírus-semente de laboratórios diferentes possam ter a mesma origem, de acordo com os processos aos quais forem submetidos (clonagem, purificação de placas, seleção por tropismo para tecidos específicos ou resistência à enzimas, termo-sensibilidade, etc.), podem se transformar em produtos finais totalmente diferentes, com características próprias.


Como vimos, quando uma amostra viral é selecionada como candidata em potencial à formulação de uma vacina, é preciso determinar sua Imunogenicidade. Com esse objetivo, uma vacina experimental é produzida com o vírus-semente em estudo e diluída progressivamente. A seguir, vários grupos de aves SPF são vacinados com estas diluições, sendo que um grupo adicional da mesma procedência é mantido como controle não-vacinado. Posteriormente, todas as aves são desafiadas com amostras virulentas, e a DMP será correspondente à maior diluição da vacina capaz de proteger 90% das aves.

 
     
 

De acordo com normas estabelecidas pelo CFR-9 (Code of Federal Regulations - Vol. 9), o título por dose de uma vacina a vírus vivo deve ser, no mínimo, 5 vezes (0,69 log10) maior que a DMP aferida no teste de Imunogenicidade.

 
     
 

A medida que avança o tempo de estocagem de uma vacina, ocorre perda gradual de sua atividade biológica, cuja magnitude está diretamente relacionada com a composição dos estabilizadores na fórmula do produto, a qualidade da liofilização e o conteúdo de umidade residual.
O teste de Estabilidade Térmica foi concebido para simular esta perda, visando estimar o título da vacina ao final do prazo de validade. O método consiste na titulação de uma vacina em 2 tempos: no momento da fabricação (a fresco) e após envelhecimento acelerado (manutenção das amostras em estufa à temperatura de 37ºC durante um período variável, conforme o produto em teste). Os laboratórios levam em consideração esta diferença para definir o título mínimo de liberação do produto e garantir sua eficiência até o final do prazo de validade.


Quando em superdosagem, alguns vírus podem desencadear reações pós-vacinais, normalmente transitórias e de caráter respiratório (IB, DNC). Além disto, a sensibilidade genética de certas linhagens pode favorecer a ocorrência de problemas locomotores em aves jovens, decorrentes de Polineurite provocada por vírus neurotrópicos como a cepa Rispens. Estes efeitos adversos podem ser potencializados por certas condições ambientais ou manejo inadequado.

 
     
 
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