Além dos testes rotineiros de inocuidade em overdose, a especificação de título máximo para uma vacina é particularmente importante no caso de vírus epiteliotrópicos, como o da Bouba Aviária. Cada laboratório deve estabelecer o limite superior para a variação do título desta categoria de produtos, eliminando assim o risco de reações teciduais indesejáveis decorrentes da aplicação de vacinas com dose excessivamente alta.
 
     
 


A correlação entre a concentração de antígeno e a atividade de uma vacina é diretamente proporcional, porém limitada, sendo regida por uma curva sigmóide (figura 5). Ou seja, a partir de um determinado ponto, a adição de mais massa viral ou bacteriana não reflete em incremento da eficiência da vacina, podendo resultar em aumento desnecessário dos custos de manufatura.
Em um trabalho realizado por Anderson et al. (1971), o aumento progressivo da dosagem da vacina de Marek de 200 até 1.000 PFU,s resultou em ganhos econômicos significativos, diretamente proporcionais à melhoria no controle da

 
 
mortalidade e diminuição das condenações no abatedouro. Porém, a utilização de doses mais altas (até 2.600 PFU,s) não resultou em benefício adicional na performance das aves (figura 6). O mesmo autor demonstrou que a correlação entre o aumento do número de PFU,s por dose e o ganho de peso corporal das aves foi positiva até o nível de 1.500 PFU,s. Em doses superiores, esta correlação direta não foi verificada. (figura 7).
 
     
 
 
     
 

Sabemos que quanto maior for a adaptação de um vírus ao seu hospedeiro laboratorial ("in vitro"), mais facilmente ocorre a sua replicação, aumentando o rendimento da cultura.
Em um trabalho realizado por Witter et al. (1990), foi demonstrado que as placas induzidas por uma semente do vírus de Marek aumentam não só em número mas também em tamanho, na medida em que se aumenta o número de passagens do vírus sobre os cultivos celulares (figura 8).
 
 
A adaptação do MSV ao substrato favorece, portanto, a obtenção de vacinas com títulos mais altos. Por outro lado, pode levar a atenuação excessiva do antígeno, resultando em ineficiência da vacina devido à perda de infectividade ou alteração de suas propriedades antigênicas.
O gráfico da figura 9 ilustra o declínio na proteção conferida por uma vacina de Marek produzida com uma cepa do sorotipo 2 conforme o aumento do número de passagens do MSV.
É por esta razão que os laboratórios mantêm um rigoroso controle do número de passagens a que são submetidas as semente virais. Após sofrer um número predeterminado de passagens, o MSV é amplificado para a produção das Sementes de Trabalho (WSV - "Working Seed Virus"). Os lotes comerciais são sempre produzidos a partir do WSV, novamente respeitando-se um número máximo e preestabelecido de passagens.

Vacinas com títulos mais altos são mais eficientes?
Nem sempre. A simples comparação do título de 2 vacinas pode nos induzir ao erro. Para ilustrar esta afirmação, vamos tomar como exemplo as vacinas de Gumboro: As vacinas fortes são produzidas a partir de cepas virulentas isoladas do campo. Por serem pouco adaptados ao substrato de laboratório, estes vírus produzem vacinas com títulos mais baixos (de 10 a 100 vezes inferiores aos títulos das vacinas intermediárias), porém extremamente efetivas.

 
 
     
 
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