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» 03/08/2009 - Controle da mastite evita prejuízos


(*) João Marcelo Gomes

No Brasil, onde tem vaca de leite, tem mastite. Trata-se de uma enfermidade caracterizada por um processo inflamatório da glândula mamária das vacas. É a doença que causa os maiores prejuízos à produção de leite no mundo, segundo pesquisa do International Dairy Federation (IDF), importante organização não-governamental com mais de 100 anos e que funciona como fórum de discussões, normatização de análises e padronização de produtos lácteos.

Os reflexos negativos pela alta incidência de mastite nos rebanhos brasileiros vão desde a diminuição na qualidade do leite até mesmo a queda na produção, penalizando diretamente o pecuarista e indiretamente toda a cadeia produtiva de leite.

Entre as principais causas da mastite está a contaminação por bactérias; outras formas de contaminação ocorrem por fungos, leveduras, algas e vírus. Quanto à sua forma, pode ser clínica ou subclínica. A primeira é quando a enfermidade acarreta sintomas da inflamação e é, portanto, visível a olho nu; a outra, a mais comum, não é perceptível aos olhos, embora esteja presente no úbere da vaca e possível de ser identificada por meio de exames clínicos e laboratoriais, como CCS (contagem de células somáticas). Em ambos os casos, os principais prejuízos relacionam-se à queda na produção leiteira, diminuição da qualidade do leite, gastos com medicamentos, descarte de animais e gastos com animais de reposição.

A forma clínica é responsável por 30% da incidência registrada nos plantéis e ocasionam muitos prejuízos que podem ser diretos ou indiretos. Entre os diretos, destaque para as perdas da produção leiteira; descarte de leite durante o tratamento; custo com medicamentos veterinários; e custos com trabalhos extras realizados em decorrência do tratamento. Entre os prejuízos indiretos, os custos com instalações para tratamento de animais doentes; maior risco de aborto; e maior risco da presença de resíduos de ATB (antibióticos) no leite.

No caso da mastite subclínica, há necessidade de atenção para a diminuição da produção leiteira, fator que incide diretamente sobre a margem apertada da atividade. A situação chega a tal ponto que de 70% a 80% do total dos prejuízos da produção de leite decorrem da mastite subclínica.

Para ilustrar esta perda de leite, vale exemplificar com as seguintes situações: para uma fazenda com produção diária de 1 mil litros de leite, caso o CCS do tanque seja de 500 mil, a perda é por volta de 6%, o que representa 60 litros e, ao custo de R$ 0,50 o litro, a perda diária chega a R$ 30,00 e a mensal a R$ 900,00 para a mesma  produção de 1 mil litros ao dia; no caso de o CCS do tanque ser de 1 milhão, a perda é por volta de 18%, ou 180 litros ao dia, sendo o prejuízo financeiro (para o litro negociado pelo mesmo preço de R$ 0,50) de R$ 90,00 e mensal de R$ 2.700,00.

Devido à importância e gravidade da doença, é grande a necessidade de intensificar a prevenção e o tratamento. O pecuarista, com a assistência de um médico veterinário, deve sempre estabelecer um protocolo para controle da mastite. O medicamento utilizado é sempre parte do programa e, sendo assim, as medidas preventivas auxiliam diretamente no resultado do produto. Os programas devem atentar especialmente a seis pontos fundamentais: 1) manejo correto de ordenha (pré e pos-dipping); 2) bom funcionamento do equipamento de ordenha; 3) tratamento imediato de todos os casos clínicos; 4) descarte ou segregação das vacas com mastite crônica; 5) tratamento de todas as vacas secas; e 6) controle de ambiente, vacinação e nutrição.

Por meio de ações consistentes, a prevenção e tratamento da mastite trazem muitos benefícios econômicos aos pecuaristas. Além do retorno à produção de leite, há redução da transmissão dentro do rebanho, diminuição de infecções crônicas e do descarte.

(*) João Marcelo Gomes é médico-veterinário, gerente de produto da linha de gado de leite da Fort Dodge Saúde Animal.
A Fort Dodge possui um site especializado sobre o tema, com trabalhos técnicos e dicas de controle, tratamento e prevenção da doença, acesse www.mastiteonline.com.br


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